segunda-feira, 6 de janeiro de 2014


Escreve, apaga
Escreve, apaga
Escreve, apaga
E no final, no fim da vida
Deixarei a obra mais bonita, o melhor livro todos

Com páginas todas em branco.

-Marias Vale.


(...) Ainda adoro você. Não sei por quê. Talvez seja porque o seu olhar me fazia dançar melhor. Ou porque ninguém mais me chegou com um cheiro adocicado no meio da tarde ensolarada, em harmonia com todos os azuis (...) E, atrás dos seus passos largos, no jardim de insônia que você deixou, foi onde melhor escrevi as minhas saudades. Hoje, debaixo do sol e com o mar ao fundo, ainda é por você que eu espero. E se eu pudesse dizer tudo o que já escrevi e calei, seria com uma voz mansa e aveludada: sem os suspiros de horror do início, mas com o mesmo desejo, embora um pouco mais sossegado com o tempo.
Tempo que só encheu de poeira sem conseguir apagar(...)

-Marla de Queiroz.

Original http://pequenasepifaniaseoutrosdevaneios.blogspot.com.br/

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A carta


Para T.V.S

"Às vezes, a saudade não cabe no peito. Todos os dias durmo e acordo com ela, mas hoje é um desses dias em que ela resolveu me acordar mais cedo e gritar a tua ausência.
Parece que foi ontem que estive nos teus braços, sentindo teu cheiro, com teus beijos me aquecendo por dentro, nossos olhares parando o tempo.
Cada dia a mais de espera é uma dia a menos até o reencontro, mas ainda assim a saudade não cessa, não silencia nem vai embora.

Por quê tão longe? Penso todos os dias. Mas antes de começar a reclamar, penso nos casais que podem se ver todos os dias, que estão sempre juntos e por incrível que pareça não se conhecem nem um pouco, não se respeitam, não são parceiros e nem sabem aproveitar cada segundo. Segundos, que para nós, fazem toda diferença. Um segundo a mais ao teu lado e eu tenho força pra te esperar por uma semana inteira até a próxima viagem, o próximo encontro.

Cada telefonema, cada mensagem, cada bom dia, boa tarde e boa noite me dá forças pra aguentar mais um pouquinho.
E sigo esperando...
Espero, por que você, daí de longe, me faz sentir melhor do que muitos
que têm o dia inteiro para me fazer bem e não o fazem.
Espero por que com você eu não preciso fingir um sorriso ou segurar uma lágrima. Com você eu sou eu. Nua, crua, tua.
Com você eu aprendi que distância NUNCA poderá medir um amor, o carinho, o respeito, a amizade e nem a sintonia que temos. Aprendi que mesmo longe, você faz parte dos meus dias mais bonitos, você me esquenta nas noites frias e me dá o brilho nos olhos que tantos invejam.
Depois de você eu aprendi o valor de cada minuto e que devemos aproveitá-los da melhor forma possível. Então eu espero.

Espero o próximo telefonema, a próxima mensagem, a próxima chegada trazendo esses olhos que me devoram, esses braços que me protegem e esse coração que é a minha casa."



Oi, eu queria te dizer de como os dias têm sido esse peso, como se houvesse um mundo amarrado em cada um dos meus pés. Um mundo composto de saudade, medos, perdas e sombras. Um mundo de coisas que pairam sob a camada etérea dos olhos. Nada é um balão. Alguém já disse isso? Disse sim. Foi o Lulu que compôs um verso parecido pra dizer que a vida quase sempre pesa. Ser leve, estar leve é um presente e eu há muito tempo não sei compor tais delicadezas. Eu sei que você me entende, mesmo estando longe, porque a nossa pele já doeu tanto em tantas tardes de sacada e brincadeiras e traições e doer junto é um elo que nunca morre. Ali vida passava e era tudo claro e ameno, lembra? Eu não me esqueci.
Eu já te contei que estou tomando fluoxetina? O mal do século me pegou. O mal do século é esse peso das horas aniquilando esperanças. Eu ando tão regredida. Eu ando tão esquecida. Eu ando tão desinspirada. [...] Há um peso ao redor. Eu sinto. O ar é denso e eu o engulo, seco, difícil. Hoje eu sinto espasmos incômodos nos dedos das mãos e tenho prazo de validade. Hoje eu só queria não acabar. Onde é que em mim se fabricam os suspiros? E os voos? Eu me esqueci. Quanto custa uma passagem para... perto? (de ti, de mim, de algum sorriso) Ou para bem longe? ... Pode ser de balão. Mas... olha só, eu me esqueci:

Nada é um balão.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013


"Amor não é paixão. Fazer sexo não é fazer amor. Ódio não é amor. Amor não é fogo, não é chama, não é amizade, não é casamento, nem compromisso. Amor não é namorar, não é chorar, não é beijar, não é desejar, não é saudade. Amar não é estar-se preso por vontade. Não é servir quem vence o vencedor. Amor não vai. Amor é o que fica. Amor é resto. Amor é o que sobra do que foi supracitado. Amor não é onda, é o mar. É o companheiro que não abandona depois que todas as fervorosas sensações se foram. Paixão, ódio, saudade, sexo, casamento, desejo são como trens. Amor é estação."



Gabito Nunes


"Se eu disser que nunca amei estaria mentindo. Entenda, eu não poderia te enganar, a dúvida dói mais. Ainda não está tudo acabado, mas agora não quero amar novamente. Para você quero inventar um amor novo, não quero recomeçar o mesmo sentimento de sempre. Somos diferentes demais para um sentimento comum, você não merece o que todo mundo tem, você não pode ser tratado com rotina. Preciso te-amar-além. Preciso ainda inventar o que não existe para amá-lo. Não é sacrifício. Sacrifício é o comum: ligação, jantar na quarta, domingo com a família, cinema. Quero o amor que se revela quando acaba a madrugada. Quero o amor que vem depois do beijo mais intenso. Quero a palavra que testifica a declaração dos votos. Quero o gesto que ultrapassa o carinho. Quero as digitais da tua alma quando tua mão dorme em minha cintura. Nós sempre viveremos além. Nós ainda inventaremos algo maior que a eternidade."


Cáh Morandi